O começo
O cara acorda e nem quer se levantar. Olha ao lado e só vê o mesmo de sempre. Passa a mão pelo corpo só para ver se ainda existe. Existe. Isso já é bom. Não lembra de nada. Sente sono. Vira para a parede. Vê a hora. Nem é tão tarde. Dorme de novo. Acorda depois. Olha o jornal. É o mesmo de ontem. Senta no sofá. As paredes são opressoras. Precisa de sol. Mas está de noite. Sai pra dar uma volta. Quando se liga, percebe que já está andando por mais de dois quilômetros. Sente sede. Senta no quiosque na beira da praia. Fica olhando o morro Dois Irmãos. Pede um coco. Tá geladão. Vai pagar, mete a mão no bolso. Esquece que tinha trocado de calça e saído sem um tostão. O cara nem tá olhando. Saí correndo alucinadamente. O dono do quiosque nem liga, grita "filha da puta", acende um cigarro e volta a ver o jogo que passa na TV.
Ele continua correndo. Na cabeça dele, o cara ainda estava atrás. Nem se dá conta que corre por nada. Continua achando que o cara tá atrás dele por causa da porra da água de coco. Tá dando uma de otário e nem se liga. Sempre assim. Da outra vez contou pra menina com quem tava saindo que tinha pego outra só porque achou que ela já sabia. No fim das contas ela nem sabia, ficou sabendo por ele. Chamou ele de mané e ainda disse que ele era ruim de cama. Ficou puto da vida. Tinha certeza que era garanhão. Mas não teve jeito, ficou com a dúvida na cabeça. Ainda hoje pensa nisso quando se distrai....


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